quinta-feira, 6 de junho de 2013
diagnóstico
domingo, 14 de abril de 2013
you have a new message
segunda-feira, 8 de abril de 2013
a mais
Eu não combino com aqui. Cidade grande e praiana maquiada pela óbvia e equivocada associação entre o sol e felicidade. Eu não consigo imaginar dia mais angustiante do que aquele em que o sol frita nossos corpos enquanto o povo o brinda mediocre e felizmente.
Não tenho conseguido mais fugir. Já esgotaram-se os meios e o derradeiro desfecho se anuncia. Encarar a mim mesmo. Nú. Repetitivo. Como eu sei que sou e só sei. Eu sei.
Respiro raso, ponho aquela british indie rock band e finjo que ainda há uma porta a ser aberta. Fecho os olhos num último apelo a mim mesmo. Em vão.
Assumirei os erros a mais. Prometo.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
verso
Agora choro o leite derramado que escorre pelo ralo, mistura de início e fim.
domingo, 9 de dezembro de 2012
tudo por mim mesmo
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
felicidade na estante
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Dízima periódica da geração Y
sábado, 13 de outubro de 2012
no filter
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
perecível
sábado, 8 de setembro de 2012
unidentifiable
Críticas estou dispensando. Já basta a minha auto. A não ser que você seja o mestre dos magos e diga que tudo dará certo neste caminho opaco que sigo evitando olhar pra trás. Tô no escuro com medo. Vejo pessoas e prioridades. Vejo equívocos em manuais. Percebo-me na luz. Capacidade sobre humana de fazer-se desinteressante. Não espero nada. Só peço. Eu me amo em 3 de agosto. O mundo pára em seu constante retrocesso andante. Nós continuamos contracorrente tentando chocar a borracha, blasé. Encaixando na timeline como dadaístas do futuro, geração qualquer nota, cópia vintage da tendência neomoderna da semana de 22. Porém somente a forma nos interessa, mesmo com conteúdo, a iconodulia sobressai na presente imagem de nossas camisetas manchadas por rostos conhecidos de um paradigma geracional. Reflexo constante da falta de.
sábado, 11 de agosto de 2012
eles tentaram
Sete dias in rehab não cabem dentro da razão. Psicossomatização. Quando é mesmo que nos damos conta? A vida pode ser lida como um terço. Costura. Conta por conta. Nó por nó. Dor transmutada em bagagem. Como Dean ou Monroe. Abandonados, mas artistas. Pintores de si mesmo. O corpo como tela do vício em sermos nós mesmos. Farpados. Olhando para si em sete dias. A dor desvia o foco. Não olho nem ao lado. Calado a interiorização foi intensa e sem vontade de se fazer entender, escrevi sem caligrafia, falei com os olhos.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
time is my addiction
Foi no dia vinte e nove, dia de gnocchi, que eu deixei a sua casa e fui andando até botafogo. Pensando, avaliando, questionando este novo sentimento. Algo diferente das outras vezes em que deixei a sua casa e de súbito faltou-me o ar pelas lembranças de cada gesto seu. Hoje é diferente. É um vazio cheio da ausência de sua presença. Trato-te mal num reflexo do meu ódio em não conseguir te odiar. Vejo-te uníssono como o grito da criança que um dia fomos. Juntos. Seu peito, joelho e cabelo já não são os mesmos, mas seus olhos refletem aqueles dias quentes do verão praiano, em que eu inocente transloucava-me só para te ver dropar as ondas no oceano sem fim, o que acabava por ser a minha obsessão. O meu desejo se transmutou. Acabou o tesão, a admiração, o toque suave. Restou o amor que único se torna pequeno perto de minha perspectiva de vida. Amor amigo. Amor de quem quer bem, mas só. Finda no limite da certeza. E convicção em matéria de amor é pura amizade. Agora, neste instante, neste milésimo de segundo que rompe o espaço, não sinto nada mais do que carinho. Carinho como pela blusa preferida aos treze e que não cabe mais, mas que guardo como a recordação de um ano feliz em minha vida. Nós dois grafados na tela da memória. Uma mistura de surf, eu, prata, você e amor em tons de preto e branco.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Sinal não encontrado.
Amo com tanta intensidade que machuco o seu dedinho mindinho. Amo com a força de quem resiste, e isto finda a minha vivência modesta que anseia apenas por um beijo teu. Te quero como nunca e temo como sempre, perder-te. Por favor, lave a louça e me beije com a sinceridade que existe em seu peito. A nossa ligação é resgate de Romeo e nossos gestos, uma interpretação britânica de Juliette. Porque os ratos se escondem na taberna? Nossa história se tornou um Fado triste de sucesso. O amor morou em nossos corações, mas juntos somos apenas palavras de uma carta nunca enviada. Choro em repúdio à nossa covardia. De amanhã não passa.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Carta de quem não serei.
Oi Tia
Jamais pensei em voltar aqui ao Catumbi, sobretudo nestas atuais circunstâncias. Ainda mais após a “ascensão” social de nossa família. Primeiro à tijuca, depois à barra da tijuca e por último à Gávea, quanta evolução num só clã. Hoje retorno onde jamais pensei voltar, nem por passagem. Alias, pensei sim em retornar aqui, mas apenas morto, para habitar o ataúde ao lado de vovó no nosso famoso cemitério. O berço da nossa família é hoje a cova viva e morada deste teu querido sobrinho marginal. Estou preso neste cárcere há cerca de dois meses e não sei ao menos se daqui a cinco horas estarei vivo ou se esta carta sequer chegará a suas mãos. Aqui a alimentação é péssima, os alimentos já nos são oferecidos abertos, eu nem posso ver as informações nutricionais e continuar a nossa dieta diária. Mas continuo magro, talvez devido à rotina intensa de exercícios deste lugar, ou mesmo pela tristeza mesclada com o futuro incerto que se personificam num tumor incurável que ostento em meu estomago, o sinto como um bolo na garganta que mantém a minha “saciedade”. Nem lexotan, nem rivotril e nem a nossa amiga sibutramina seriam tão eficazes. Tive muitas alucinações aqui dentro, não sei dizer o que foi real e o que foi sonho, mas tanto faz. Tudo que me ocorre aqui dentro se torna real, é o único material que possuo, eu comigo mesmo. Conheci um pastor aqui dentro, e por incrível que pareça, ele é o único com quem consigo manter uma conversa num grau superior do intelecto, ele tenta me ungir todos os dias ao senhor Jesus, mal sabe ele o quanto já estou ungido. (risos) Enfim, escrevo-te, pois sei que mesmo que do seu jeito, fostes a que mais me compreendeu nesta vida. Desde as minhas crises de TOC ou as minhas respostas aos ataques de papai. E eles como estão? Já esqueceram que um dia tiveram um filho? Ainda fingem que aquele aborto em 91’ deu certo? Nem sei por que pergunto, esta carta jamais terá uma resposta, talvez pergunto a mim mesmo se ainda possuo genitores. Por mais árdua que esteja sendo esta nova vivência de minha vida, não paro de exercitar meu lado Polyana, além de minha famosa ironia. Todos os dias procuro ver o lado bom disto e ironicamente sorrio para todos, buscando vida no inferno.Um beijo sem forças quase.
Ps. Te amo para sempre. Não se esqueça de mim. Nunca.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Quase por querer
É chegada a hora da volta. Voltar para o meu mundo da espera pelo soar do vibra call de meu smartphone. O mesmo que traz as notícias de minhas expectations é aquele que teima em não vibrar em my reality. Momentos como este me fazem ansiar pelo tempo em que Pero Vaz de Caminha endereçava esperanças através dos oceanos. Desse modo penso que seria mais sofrido esperar por você, porém menos doloroso, tendo em vista toda a ansiedade depositada neste leque de possibilidades com o qual a tecnologia da informação nos abana. Aproximando-nos de tudo e nos distanciando de nós mesmos. Estou realmente cansado de agradecer por all the joy and pain. Só peço por uma vida com mais realizações e menos “quases”. Morrer na praia já está ficando repetitivo e eu temo perder o fôlego em breve. Pior do que o medo da mudança era o medo de não mudar. Nunca. E neste ciclo com fins trágicos, você “anabolizava” o meu potencial. Não posso parar de tentar. Não posso perder os ganhos que as derrotas me deram. Não posso amar morrer sem ter.
Beijo sincero
domingo, 6 de maio de 2012
Sem flores, brincou.
A morte já não era mais tabu. Perdi você na pior das circunstâncias. Perdi você em vida. Viva, ali em minha frente. Apesar de a morte ser de fato uma experiência traumática, esta ultrapassava todas as expectativas, até aquelas mais receosas, como as do filho ciente da mortalidade dos pais e que mesmo assim evita o assunto como o diabo a cruz. Perdê-la em vida era o pior que poderia ser vivido. A morte leva a materialidade e nos deixa com as lembranças, os sentimentos, marcas invisíveis que nos penetram mais do que ferida aberta. Você foi-se, mas só para mim, morreu de fato, mas ainda poderia um dia eu sem querer querendo atravessar a Bartolomeu Mitre e ver-te. Viver com a expectativa da chegada de alguém que nunca veio e já morreu. Abortei-te. Morreu no dia em que não foi ao meu encontro na livraria da travessa. Morreu no dia em que jurou amar e amou só para si, não compartilhou comigo o teu sentimento que era mais meu do que teu. Morreu no dia em que me agarrou e de súbito largou-me, lembrando-se dos conceitos da aula de ética moral na contemporaneidade segundo o evangelho de Mateus. Morreu de vez quando por uma súbita vontade momentânea escreveu-me feliz, requisitando a minha presença novamente em sua vida. Vesti então a minha capa das expectativas adolescentes, aquela mais gasta e antiga, a mesma que teimo em não doar. Fui até e cheguei. Esperei. E você fincou o teu ataúde em mim, bateu com a pá na terra fofa, apoiou o epitáfio, rabiscou palavras ilegíveis e por fim aplaudiu a si mesma. Palmas secas de um homem só, o homem que mais amor deu-te em morte. Sem flores, brincou.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Oh Susanna
Confesso que jamais esquecerei o dia em que entrei na casa de número 176 da Avenida Vieira Souto, cruzei o saguão e avancei as escadas. Deparei-me com uma mulher de cabelos negros e olhos azuis, olhos bem marcantes. – Susanna? Eu disse.
- Sim? , disse-me ela. Olá, eu sou o Pedro amigo da Clarissa que você chama de Alessandra. - Espertinho você, né? Exclamou! Sorri e ela retribuiu generosamente. Não seria capaz de prever, mas a partir daquele dia a minha vida nunca mais seria a mesma.
Quantas experiências incríveis vividas tendo como cúmplice essas arcadas? Quantas as amizades feitas! Quantas emoções! Quanta alegria conviver com seres humanos que assim como eu buscaram vorazmente a real capacidade do nosso corpo, nosso principal instrumento de trabalho! Quanta angústia carreguei no trajeto até o meu refugio no recreio dos bandeirantes, somente os bancos acolchoados do onze trinta e três sabem o tamanho das frustrações que tive e o quanto cresci através delas. Como sou grato por ter aprendido a ser autentico como estou sendo agora e não carregar a menor culpa por isso! Como sou grato pelas palavras sempre eufemísticas, porém carregadas da mais pura verdade de minha querida mestra. Foram experiências que não trocaria por nada nesse mundo. Experiências em uma sala de aproximadamente 20 m² que ultrapassaram a quarta, quinta, sexta, sétima parede, sétima sim, porque sete é auspicioso, não é Susanna? Aprendi a ser tantas coisas ao mesmo tempo, porém uma de cada vez. Aprendi a rir na hora certa. Aprendi a ser levado a sério, mesmo quando se tem 17, 18 ou 19 anos. Aprendi a ser feliz. Estou aprendendo a cada dia. Agora já está feito, você é uma referência, como um livro na estante que sempre consultamos nos momentos de dúvida. Aquele livro todo escrito, anotado, querido e amado que nós não emprestamos para ninguém.