quinta-feira, 6 de junho de 2013

diagnóstico

sofremos, então, de -angústia crônica-. por mais que os problemas nossos de cada dia se dissolvam em solução, por mais que consigamos nos livrar de nossas dores a mais, existe sempre algo que fica. esta presença se justifica exatamente pela falta. a ausência de uma questão a ser percorrida, situação apocalíptica, nos deixa ainda mais suscetíveis a este estado crônico. simplesmente por não ter. e não tendo, procuramos, mesmo que involuntariamente, cada vez mais, ter. por isso, estamos tentando preencher vazios. falsos vazios. esta sensação partilhada por todos nós e tão individualmente sofrida, nos faz querer transbordar aquilo que nos parece árido, e no fim sobra. e a dor não se desfaz. . sobre as compulsões diárias

domingo, 14 de abril de 2013

you have a new message

com as calças abaixo da bunda andava vagarosamente em direção ao nada. fumava um chesterfield blue trazido dentro de uma meia em sua última volta da europa. a touca escondia o seu cabelo sujo. ele nem sabia quem era. só tinha a certeza das dúvidas em seu peito magro. reco-reco nas costelas. doze por cento de gordura em seu corpo. nuggets e coca-cola, um beijo. chegou ao bar da esquina, onde encontrou uma velha amiga. dezessete anos de amizade. vinte e poucos de vida. amor demais para aguentar. e não aguentaram. pararam ali. com a long neck de sol mexicana na metade. com o filtro do chesterfield blue intacto. o cigarro fumado pelo ar suspenso entre dois olhos sem vergonha. vestígios eternos de um amor que acaba. é tempo demais. ela amava rir das coisas insanas ditas por ele. ele adorava fazê-la rir. foi perfeito demais para se manter. beleza cansa. cansa. ai. como tudo que é demais. faz mal. para eles o mau era bom. dark side is the new black, mano. gangsters de si mesmos. não matavam nem barata. miravam em guns, black shirts and cool socks para fora das boots, tudo na forma. por dentro duas criaças que se amavam no jardim da infância. jardim secreto na sessão da tarde. hoje compartilharam passados. choraram presentes. e pontuaram finalmente o que estava reticente. deu certo por tanto tempo. talvez volte a dar. arrastaram cadeiras de ferro no humaitá. abraçaram-se. beijaram-se. ele desceu a jardim botânico. ela subiu a são clemente.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

a mais

Hoje eu acordei em preto e branco. Ouvi sete músicas e nada esvazia a melancolia que arrefece o meu peito. Trago-a como uma velha guimba largada num antigo cinzeiro de pedra de uma casa de praia.
Eu não combino com aqui. Cidade grande e praiana maquiada pela óbvia e equivocada associação entre o sol e felicidade. Eu não consigo imaginar dia mais angustiante do que aquele em que o sol frita nossos corpos enquanto o povo o brinda mediocre e felizmente.
Não tenho conseguido mais fugir. Já esgotaram-se os meios e o derradeiro desfecho se anuncia. Encarar a mim mesmo. Nú. Repetitivo. Como eu sei que sou e só sei. Eu sei.
Respiro raso, ponho aquela british indie rock band e finjo que ainda há uma porta a ser aberta. Fecho os olhos num último apelo a mim mesmo. Em vão.

Assumirei os erros a mais. Prometo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

verso

2013. O mundo não acabou. Eu só tive vontade de voltar à mim mesmo agora. Nesse -meio tempo-, quase inteiro, perdi amigos, amores. Não ganhei nada. É assim que me sinto, lesado. Página da vida escrita no verso. Contracapa. Papel de pão. Poético e descartável. Escondido onde nem eu mesmo me achei. Quando menos apareci, foi quando mais me expus e errei. Perdi o tempo que foi meu. Gasto.
Agora choro o leite derramado que escorre pelo ralo, mistura de início e fim.

domingo, 9 de dezembro de 2012

tudo por mim mesmo

Não gosto das vozes claras, limpas, articuladas… Gosto de vozes roucas, arranhadas, engasgadas, com algo entalado, querendo ser dito, querendo dizer, cantar... Câncer na garganta que narra a trajetória de um rancor, de um amor talvez, de alguém que não pôde. Beleza bonita na dor. Dor que se liquefaz, muda de estado. Sai do emocional e encarna em nós na dor física. Mas sem esta dor não faz sentido. Perde o charme, a graça. Viver sem dor não tem sentido, por quê. Masoquismo social, lutando por migalhas de afeto diário. Um sorriso, um abraço falso, um beijo babado e a carga de energia que se enche novamente por 3 segundos e logo tudo se reinicia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

felicidade na estante

Na mesma onda dos antidepressivos, hoje é proibido ser infeliz. Lutos só duram sete dias, meia hora a mais é patologia declarada, prozac na garganta. Não comparecer ao bar da esquina, onde seus amigos brindam a felicidade medíocre de suas vidas, em ter conseguido sobreviver mais um dia, engolindo a mesma cerveja morna após cada expediente de sexta-feira. Enquanto você simplesmente opta por seguir outro rumo, outro caminho, nesse mundo alérgico que nos brinda com um fim próximo, se Deus quiser. Não posso faltar com as expectativas da chamada “ditadura da felicidade”, a mesma que esfrega em nossas caras a irrealidade em sermos menos “eu” e mais “nós”, no sentido coletivo de -monte de merda-. “Só não é feliz quem não quer”, e seu não quiser? Ou puder? Estarei condenado ao fracasso enquanto ser humano... Desculpe-me, creio que não, mas na sociedade em que os equívocos vêm em manuais, sinto-me inadequado por simplesmente divergir do que teimam em gritar, com perdigotos, em minha cara.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dízima periódica da geração Y

Eu queria entender o porquê dessa não identificação com o nada ou com o tudo de que a geração Y compartilha e que muitos nem se dão conta. Essa angústia por saber e não saber quem é/foi. A busca por um sentido que não passa pelas drogas, arte, sexo... Tem a ver com o humano de nós. Quem somos aqui. É construção, é genético, é inconsciente, psicossomático? Acho que tem a ver com -quem culpar- , porque num mundo tão maluco, moderno e rápido é preciso condenar alguém. Mesmo sabendo que a culpa está dentro de nós. Um eterno cristo pregado em nossas almas, mesmo sendo ateu. É social, geracional. Vítimas pós-utópicas, sem ideologia, aliás, com uma única ideologia, a individual, de si mesmo. Profissionais de suas próprias mentes e corpos. Uma busca eterna por um “eu” completamente dissociado de “mim”. A conseqüência está nas ruas, na segregação do ser homem, de ser único, só e nada. Porque afinal de contas vivemos em função do outro, por mais que se negue, que se fuja, é real. Somo uma produção em série de unidades diferentes, mas que ainda pertencem a um único universo. Culpar os pais é ciclo vicioso sem fim. Enquanto isso, vivemos, tentando buscar uma resposta infinita. Dízima periódica da geração Y.

sábado, 13 de outubro de 2012

no filter

O meu dia começa quando ponho os meus pés no chão e termina quando a última gota de álcool evapora de minha pele áspera, corroída pelas noites a mais do meu jeito perverso de ser. Reflexo dos filtros que amenizam a feiura da gente. Da geração coca zero quanto mais zero melhor. Zero mesmo, no sentido literal. Vazio no jeito animal de ser racional comprando melancia geneticamente modificada. Sem sentido por querer como eu você a mercê de rimas pobres, porque o zero é cool entre todos nós. A vida é bela com o filtro certo. Num espeto à venda escuto os gritos de quem eu não quero ser. Ninguém é ninguém. Somos parte do todo, dos filtros pré-moldados que moldaram por nós. Somos vitange de nós mesmos, do que fomos uma ou duas semanas atrás. Falta de escolha ou escolha por falta. Tanto faz. No fim ou é mais alaranjado ou é mais azulado, não importa. Na escala das cores primárias, o limite é a mistura óbvia de qualquer coisa bonita aos olhos do outro sobre nós.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

perecível

Guardo angústias pra mais tarde, como bolinhos de arroz. Melhores dormidos, de um dia pro outro, amolecidos pelo tempo. Uma sensação de noite passada, de perdão para alguém. Futuro sem nexo do jeito certo.Como o dia em que deixei aquele lugar como sempre e como nunca não me olhei ao espelho do elevador. Como é difícil ser na despedida. Último olhar, última fala, um último toque. Adio todos os sentimentos, prolongo sofrimentos e com isso não consigo nada, apenas sou, pois penso, como dizem. E depois? Consigo. Mas continuo com as angústias nos bolsos, manchando o tecido, sugadas pela pele. Câncer certo na mente hipocondríaca. Um, dois, três comprimidos e foi-se a dor. Alívio comprado, felicidade em caixa, mas como todo produto do capitalismo, finda, vence a validade, perece como eu, como você, como nós juntos em meio a toda essa vida.

sábado, 8 de setembro de 2012

unidentifiable

Críticas estou dispensando. Já basta a minha auto. A não ser que você seja o mestre dos magos e diga que tudo dará certo neste caminho opaco que sigo evitando olhar pra trás. Tô no escuro com medo. Vejo pessoas e prioridades. Vejo equívocos em manuais. Percebo-me na luz. Capacidade sobre humana de fazer-se desinteressante. Não espero nada. Só peço. Eu me amo em 3 de agosto. O mundo pára em seu constante retrocesso andante. Nós continuamos contracorrente tentando chocar a borracha, blasé. Encaixando na timeline como dadaístas do futuro, geração qualquer nota, cópia vintage da tendência neomoderna da semana de 22. Porém somente a forma nos interessa, mesmo com conteúdo, a iconodulia sobressai na presente imagem de nossas camisetas manchadas por rostos conhecidos de um paradigma geracional. Reflexo constante da falta de.

sábado, 11 de agosto de 2012

eles tentaram

Sete dias in rehab não cabem dentro da razão. Psicossomatização. Quando é mesmo que nos damos conta? A vida pode ser lida como um terço. Costura. Conta por conta. Nó por nó. Dor transmutada em bagagem. Como Dean ou Monroe. Abandonados, mas artistas. Pintores de si mesmo. O corpo como tela do vício em sermos nós mesmos. Farpados. Olhando para si em sete dias. A dor desvia o foco. Não olho nem ao lado. Calado a interiorização foi intensa e sem vontade de se fazer entender, escrevi sem caligrafia, falei com os olhos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

time is my addiction

Foi no dia vinte e nove, dia de gnocchi, que eu deixei a sua casa e fui andando até botafogo. Pensando, avaliando, questionando este novo sentimento. Algo diferente das outras vezes em que deixei a sua casa e de súbito faltou-me o ar pelas lembranças de cada gesto seu. Hoje é diferente. É um vazio cheio da ausência de sua presença. Trato-te mal num reflexo do meu ódio em não conseguir te odiar. Vejo-te uníssono como o grito da criança que um dia fomos. Juntos. Seu peito, joelho e cabelo já não são os mesmos, mas seus olhos refletem aqueles dias quentes do verão praiano, em que eu inocente transloucava-me só para te ver dropar as ondas no oceano sem fim, o que acabava por ser a minha obsessão. O meu desejo se transmutou. Acabou o tesão, a admiração, o toque suave. Restou o amor que único se torna pequeno perto de minha perspectiva de vida. Amor amigo. Amor de quem quer bem, mas só. Finda no limite da certeza. E convicção em matéria de amor é pura amizade. Agora, neste instante, neste milésimo de segundo que rompe o espaço, não sinto nada mais do que carinho. Carinho como pela blusa preferida aos treze e que não cabe mais, mas que guardo como a recordação de um ano feliz em minha vida. Nós dois grafados na tela da memória. Uma mistura de surf, eu, prata, você e amor em tons de preto e branco.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sinal não encontrado.

Amo com tanta intensidade que machuco o seu dedinho mindinho. Amo com a força de quem resiste, e isto finda a minha vivência modesta que anseia apenas por um beijo teu. Te quero como nunca e temo como sempre, perder-te. Por favor, lave a louça e me beije com a sinceridade que existe em seu peito. A nossa ligação é resgate de Romeo e nossos gestos, uma interpretação britânica de Juliette. Porque os ratos se escondem na taberna? Nossa história se tornou um Fado triste de sucesso. O amor morou em nossos corações, mas juntos somos apenas palavras de uma carta nunca enviada. Choro em repúdio à nossa covardia. De amanhã não passa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Carta de quem não serei.

Oi Tia

Jamais pensei em voltar aqui ao Catumbi, sobretudo nestas atuais circunstâncias. Ainda mais após a “ascensão” social de nossa família. Primeiro à tijuca, depois à barra da tijuca e por último à Gávea, quanta evolução num só clã. Hoje retorno onde jamais pensei voltar, nem por passagem. Alias, pensei sim em retornar aqui, mas apenas morto, para habitar o ataúde ao lado de vovó no nosso famoso cemitério. O berço da nossa família é hoje a cova viva e morada deste teu querido sobrinho marginal. Estou preso neste cárcere há cerca de dois meses e não sei ao menos se daqui a cinco horas estarei vivo ou se esta carta sequer chegará a suas mãos. Aqui a alimentação é péssima, os alimentos já nos são oferecidos abertos, eu nem posso ver as informações nutricionais e continuar a nossa dieta diária. Mas continuo magro, talvez devido à rotina intensa de exercícios deste lugar, ou mesmo pela tristeza mesclada com o futuro incerto que se personificam num tumor incurável que ostento em meu estomago, o sinto como um bolo na garganta que mantém a minha “saciedade”. Nem lexotan, nem rivotril e nem a nossa amiga sibutramina seriam tão eficazes. Tive muitas alucinações aqui dentro, não sei dizer o que foi real e o que foi sonho, mas tanto faz. Tudo que me ocorre aqui dentro se torna real, é o único material que possuo, eu comigo mesmo. Conheci um pastor aqui dentro, e por incrível que pareça, ele é o único com quem consigo manter uma conversa num grau superior do intelecto, ele tenta me ungir todos os dias ao senhor Jesus, mal sabe ele o quanto já estou ungido. (risos) Enfim, escrevo-te, pois sei que mesmo que do seu jeito, fostes a que mais me compreendeu nesta vida. Desde as minhas crises de TOC ou as minhas respostas aos ataques de papai. E eles como estão? Já esqueceram que um dia tiveram um filho? Ainda fingem que aquele aborto em 91’ deu certo? Nem sei por que pergunto, esta carta jamais terá uma resposta, talvez pergunto a mim mesmo se ainda possuo genitores. Por mais árdua que esteja sendo esta nova vivência de minha vida, não paro de exercitar meu lado Polyana, além de minha famosa ironia. Todos os dias procuro ver o lado bom disto e ironicamente sorrio para todos, buscando vida no inferno.

Um beijo sem forças quase.

Ps. Te amo para sempre. Não se esqueça de mim. Nunca.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quase por querer

É chegada a hora da volta. Voltar para o meu mundo da espera pelo soar do vibra call de meu smartphone. O mesmo que traz as notícias de minhas expectations é aquele que teima em não vibrar em my reality. Momentos como este me fazem ansiar pelo tempo em que Pero Vaz de Caminha endereçava esperanças através dos oceanos. Desse modo penso que seria mais sofrido esperar por você, porém menos doloroso, tendo em vista toda a ansiedade depositada neste leque de possibilidades com o qual a tecnologia da informação nos abana. Aproximando-nos de tudo e nos distanciando de nós mesmos. Estou realmente cansado de agradecer por all the joy and pain. Só peço por uma vida com mais realizações e menos “quases”. Morrer na praia já está ficando repetitivo e eu temo perder o fôlego em breve. Pior do que o medo da mudança era o medo de não mudar. Nunca. E neste ciclo com fins trágicos, você “anabolizava” o meu potencial. Não posso parar de tentar. Não posso perder os ganhos que as derrotas me deram. Não posso amar morrer sem ter.

Beijo sincero

domingo, 6 de maio de 2012

Sem flores, brincou.

A morte já não era mais tabu. Perdi você na pior das circunstâncias. Perdi você em vida. Viva, ali em minha frente. Apesar de a morte ser de fato uma experiência traumática, esta ultrapassava todas as expectativas, até aquelas mais receosas, como as do filho ciente da mortalidade dos pais e que mesmo assim evita o assunto como o diabo a cruz. Perdê-la em vida era o pior que poderia ser vivido. A morte leva a materialidade e nos deixa com as lembranças, os sentimentos, marcas invisíveis que nos penetram mais do que ferida aberta. Você foi-se, mas só para mim, morreu de fato, mas ainda poderia um dia eu sem querer querendo atravessar a Bartolomeu Mitre e ver-te. Viver com a expectativa da chegada de alguém que nunca veio e já morreu. Abortei-te. Morreu no dia em que não foi ao meu encontro na livraria da travessa. Morreu no dia em que jurou amar e amou só para si, não compartilhou comigo o teu sentimento que era mais meu do que teu. Morreu no dia em que me agarrou e de súbito largou-me, lembrando-se dos conceitos da aula de ética moral na contemporaneidade segundo o evangelho de Mateus. Morreu de vez quando por uma súbita vontade momentânea escreveu-me feliz, requisitando a minha presença novamente em sua vida. Vesti então a minha capa das expectativas adolescentes, aquela mais gasta e antiga, a mesma que teimo em não doar. Fui até e cheguei. Esperei. E você fincou o teu ataúde em mim, bateu com a pá na terra fofa, apoiou o epitáfio, rabiscou palavras ilegíveis e por fim aplaudiu a si mesma. Palmas secas de um homem só, o homem que mais amor deu-te em morte. Sem flores, brincou.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Oh Susanna

Confesso que jamais esquecerei o dia em que entrei na casa de número 176 da Avenida Vieira Souto, cruzei o saguão e avancei as escadas. Deparei-me com uma mulher de cabelos negros e olhos azuis, olhos bem marcantes. – Susanna? Eu disse.


- Sim? , disse-me ela. Olá, eu sou o Pedro amigo da Clarissa que você chama de Alessandra. - Espertinho você, né? Exclamou! Sorri e ela retribuiu generosamente. Não seria capaz de prever, mas a partir daquele dia a minha vida nunca mais seria a mesma.


Quantas experiências incríveis vividas tendo como cúmplice essas arcadas? Quantas as amizades feitas! Quantas emoções! Quanta alegria conviver com seres humanos que assim como eu buscaram vorazmente a real capacidade do nosso corpo, nosso principal instrumento de trabalho! Quanta angústia carreguei no trajeto até o meu refugio no recreio dos bandeirantes, somente os bancos acolchoados do onze trinta e três sabem o tamanho das frustrações que tive e o quanto cresci através delas. Como sou grato por ter aprendido a ser autentico como estou sendo agora e não carregar a menor culpa por isso! Como sou grato pelas palavras sempre eufemísticas, porém carregadas da mais pura verdade de minha querida mestra. Foram experiências que não trocaria por nada nesse mundo. Experiências em uma sala de aproximadamente 20 m² que ultrapassaram a quarta, quinta, sexta, sétima parede, sétima sim, porque sete é auspicioso, não é Susanna? Aprendi a ser tantas coisas ao mesmo tempo, porém uma de cada vez. Aprendi a rir na hora certa. Aprendi a ser levado a sério, mesmo quando se tem 17, 18 ou 19 anos. Aprendi a ser feliz. Estou aprendendo a cada dia. Agora já está feito, você é uma referência, como um livro na estante que sempre consultamos nos momentos de dúvida. Aquele livro todo escrito, anotado, querido e amado que nós não emprestamos para ninguém.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Um brinde ao fracasso

Viva a dor. Aproveite cada seqüela da mesma, pois só assim você terá feito algo de bom, mesmo no erro. Olhe para si com os seus olhos da infância e veja de verdade quem é você, sem amarras. Jogue-se no novo, deixe o vazio preencher-se com o que há em nossa volta. Às vezes o conhecimento nos amarra. Na guerra, por exemplo, a ignorância do soldado raso o coloca na situação limite, na mesma que o coronel, mas por qual razão, este ignorante soldado vive, prossegue na guerra, e o experiente coronel não? Ele tem a confiança daquele que não sabe ao certo onde pode ir, não sabe os limites do próprio corpo e de todas as possibilidades externas, ao contrario do coronel. Essa inconseqüência faz com que o soldado deixe este mesmo vazio se preencher, deixa a pureza das ações acontecerem sem nenhuma significação anterior. A inconseqüência do herói grego é a alma do negócio. Porém deixar de aprender é suicídio, crime inafiançável. Contar com a sorte não é nada inteligente. A solução está no eterno reencontro consigo mesmo. Não esqueça quem és. Não perca o centro de sua personalidade. Viva. Deixe a dor percorrer com a mesma intensidade da felicidade e somente desta forma conseguiremos chegar. Aonde?  

Ferida Aberta

Vez ou outra ainda pensava naquele dia triste e quente de outono. A mesma sensação voltava em mim, ódio na perda, no erro de não resgatar a essência e me deixar levar por intelectualidades que censuravam o meu verdadeiro eu. Como pude esquecer-me de onde vim? Perdi em mim o menino doce que um dia fui, aquele o qual várias vezes realmente tentei fugir, cedendo ao desejo da mudança. Consegui. Construindo-me a partir do olhar alheio. Teoria da verdade. Quem fui não sou mais. -And now- Agora, quando eu havia atingido o mérito percorrido por todo esse tempo, pecava no mesmo lugar só que na contra mão. Fugi de mim durante o tempo e agora o que deveria era me reencontrar. Yin-yang. Não era ir nem vir. Era encontrar um meio termo entre o que fui um dia e hoje sou. Perdi-me entre o identificável e a personagem de mim mesmo. O couro tratado modifica-se e cede à mudança. Vou ficar, aportado, aqui a espera de acomodações. Só assim encontro. O quê?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Depois daqueles dois dias

Aquele menino, hoje é homem com choro preso, querendo gritar, querendo amar. O vosso apartamento conjugado não permite tamanha demonstração de sentimentalidade. Ele não acredita mais nos seus próprios sonhos, nem mesmo em seu próprio amor próprio. Vida amarga aos olhos daquele que sente a agulha. Cada qual sabe a grossura de sua veia. Mais uma vez perdeu. Mais uma vez não conseguiu suplantar suas próprias vontades em relação a ele mesmo. Deve ser esse o sentimento da mãe abortada, pensou o rapaz. Ir, seguir, prosseguir e nunca chegar. Ameaças nunca findadas, atrapalhadas pelo o único inimigo conquistado por ele em vida: O próprio. Não queria ir embora com aquele choro dentro de si, aquela dor que vira câncer não poderia ali estar condensada em sua voz, pulmões e pulsos. Não restava mais nada a não ser o pedido de conseguir continuar sem perder as forças, sem desistir, sem desacreditar-se.