Sei lá, às vezes bate uma saudade de tudo àquilo que abandonei, como se algo dentro de mim pedisse para voltar e retomar de onde parei. No fundo acho que é isso mesmo que eu quero, mas não é isso que posso e devo. Querer está longe do poder e da magnitude que tudo isso compreende. Não atender telefonemas é tão grave quanto uma agressão verbal a um mudo. Escorregar pelas mãos dos mais queridos e cair em solo vazio e só. Contemporaneamente tudo saia do meu controle, talvez eu soubesse o que estava fazendo e onde dentro de mim doía e machucava, talvez não. Somente o tempo, esse tempo que corre sem deixar-me segurar as pessoas, as quais quero junto a mim, esse tempo que voa tão alto e some do alcance de minha visão estigmatizada, esse tempo seria a cura para o meu drama psicologicamente natural.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
12 Horas
quarta-feira, 16 de março de 2011
Plataforma Flutuante
(Fruto de sonho e do conceito de embriaguez)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Assovio de uma quarta-feira de cinzas.
Qual seria o prazer em não sentir? Ou pelo menos fingir que não sente? Essas perguntas habitaram minha mente durante o último Carnaval. O momento que deveria ser mais caloroso e histrionico na sociedade cristã era blasé por querer. Por qual motivo eles teimavam em exibir as suas figuras, portando caras pálidas e sem vida? Ela amava, mas nem tanto. Ele odiava e também não. Sentia-me antiquado quando inserido em meio a jovens da minha própria geração, ou avançado demais, às vezes até um pouco ridículo, mas havia firmado um compromisso comigo mesmo: Ser eu, do jeito que tenho para hoje. Independente de valer nota ou não, façamos nossos papéis, sem cagação de regra.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Prazer em não reconhecer?
Calidez. Era o que eu queria ver em sua aura, em sua boca, pele e olhos. Amar era tão difícil para você e eu teimava em culpar a tendência blasé da sociedade carioca, mas não. ''Essa sua indiferença para com a minha pessoa'' era frustrante como esta última frase. Como um ciclo sem fim, uma rua sem saída, mas também sem fim. “Como se eu fosse Ulisses, mas sem a certeza de que Penélope estivesse a minha espera”. Congratulações. Pelo que? Para quem? Eis a questão. As referências me engoliam, as metáforas se repetiam. Isto valia a uma infinitude de pessoas as quais não queria entender. Desejava a auto-suficiência indesejável, no sentido do impossível.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Amanhã ...
Ser barrado da festa e receber o convite por engano foi algo que me afetou mais do que o normal. Não sabia como agir. Comunicar o erro e formar uma situação embaraçosa e ser convidado sem espontaneidade? Ou fingir que nada havia acontecido e continuar sorrindo de castigo? A minha vontade de pertencer ao que há poucos dias acreditava veemente ser minha praia me impulsionava a falar e informar o equívoco, mas ao mesmo tempo não queria forçar nada e muito menos assistir a uma atitude obrigada sem um pingo de naturalidade. Lágrimas rolavam em meu rosto e não entendia por que eu, logo eu, era a pipoca fora da panela, aquela pipoca que caiu no chão e foi chutada e esquecida atrás do fogão. Era uma tempestade em um cálice, mas doía e isso bastava. Pura estupidez, não responder a algo visando o bem estar do atrapalhado... E eu? E eu? E eu? Sorria e pulava com cara de babaca, não sei mais ser assim, não sei, mas sei.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Opacidade cristalina
A gente cresce e desaparece, sem deixar vestígios. Sumimos um do outro e o que fomos um dia jamais será como antes. Ao acaso nos reencontramos e você levanta seu dedo portando um grosso anel de noivado. Quando há um reaparecimento, mesmo que seja físico, imagético, é o vazio que predomina e nos envolve, um vazio tão triste, quanto ao dia em que nos demos conta que não havia mais um “nós”. O meu corpo era acostumado a você, ao seu cheiro, ao seu jeito, ao seu cabelo, ao seu bafo de sono às onze da manhã. O que vejo agora não me traz nenhum reconhecimento, parecemos estranhos receosos. Eu ri querendo chorar. Eu renovei votos que não existiam. Eu forjei o país das maravilhas. Eu invejei o inevitável receando o invejável. O que somos agora não tem significado. Não é um vazio com a expectativa do novo, é um vazio no vácuo, é um vazio opaco.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Um beijo e um queijo.
Acredito que ver o outro feliz e sentir-se bem por isso é a maior prova de maturação de um sentimento. Eu via você com nostalgia, mas ao mesmo tempo uma sensação de desapego me invadia. Ver a sua vida tão diferente de quando éramos mais jovens, me fez perceber o quanto não fazíamos mais parte um do outro. O que foi um dia não existe. São apenas lembranças que pretendo guardar com carinho. O distanciamento me deu capacidade de ver você como uma pessoa estranha e desse modo me libertar do que você foi um dia em minha vida. É assim, simples. Frio e impessoal. Do jeito que tudo ficou. Um nó na garganta, uma lágrima seca, um beijo e um queijo.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
de véspera
Voltar àquela casa não era mais a mesma coisa. O clima estava sereno e eu ali sozinho, no meu quarto, me sentia em retiro, onde o som mais intenso que ouviria seria o barulho dos sapos e grilos. Escrevia a mão e gostava muito dessa sensação artesanal. Estava só e pela primeira vez naquela casa não descia correndo às escadas em busca do inalcançável. Há quatro anos dizia que só era feliz ali, porém hoje me sentia muito melhor e não estava nem perto da tal felicidade. Estava só, no silêncio. As pedras são Tomé me fitavam e eu tinha medo. O velho sofá cama recém reformado parecia-me fora do contexto sem você. Somando as horas eu não me dava conta de quanto tempo fazia, eu não tinha sono, não tinha sede, mas tinha fome, muita fome. Eu me alimentava de música, bons livros e cloro. Achava bom porque era real, pela primeira vez.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Doce ou travessura
Eu era do tipo de criança que se por acaso uma mosca sobrevoasse o meu entorno, eu a fitava acompanhando cada detalhe, cada contorno do seu vôo incerto até que ela sumisse de minha vista. Eu era “vítima”, ou não de uma criação construtivista inconsciente. Mamãe era legal, Papai também, mas isso não vinha ao caso. O fato é que eu era mesmo distraído e essa pequena característica me levou muitas vezes a vivenciar experiências curiosas.
O ano era de 2000 e entre pães de queijo e monstros digitais eu vivenciava o auge dos meus nove anos de idade. O antecedente, confesso, não me recordo, porém imagino. Estaria eu com meu 1 metro e 28 centímetros de altura sentadinho em uma cadeira fria azulada tendo aulas de inglês (a palavra newspaper veio a minha cabeça), com tantos estímulos imagéticos e sensoriais, com certeza o inglês era o que menos importava para mim naquele momento. Contudo, ao ouvir a palavra Hallowen, a teacher fisgou minha atenção e eu me lembro de suas palavras “Venham fantasiados e digam “Trick-or-treating”, foi só. De fato haveria uma festa de Hallowen, porém não aconteceria no mesmo dia o qual havia premeditado. Não me lembro de tudo, mas ainda sei exatamente qual fora a sensação de entrar em sala de aula e me deparar com todos os meus coleguinhas vestidos sobreamente com roupas Sport, enquanto eu estava equipado com capa, dentes afiados e sangue ficticio no canto da boca. Apavorante. Não, a minha fantasia não era apavorante, a cara dos meus amiguinhos vestidos em tons de bege, sob o meu ponto vista, era apavorante. Eu disfarcei, tirei a capa, tirei os dentes e limpei meu canto da boca como quem acabara de comer uma deliciosa torta de cereja, sentei-me e disse: - Meu pai segue tendencias americanas, por isso ele me obriga a me fantasiar no dia de Hallowen, pouco verossímil, porém espirituoso.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Pós-potência
São as nossas escolhas que determinam quem realmente somos, ou quem realmente aparentamos ser. Até aqui nenhuma novidade, Aristóteles já dizia isso antes de Jesus nascer. Ao ver pessoas com características bem definidas querendo esconder o que são me causava uma sensação de vergonha alheia, como se uma maquina de lavar estivesse trabalhando dentro de mim. Seria mesmo patético, ou minha sensibilidade é que estava friamente apurada? Eu trabalhava com imagens, metáforas e às vezes tinha a sensação de não estar sendo muito claro. Azar de quem não entende, ou leviandade? Não faço a menor ideia, porém essa acidez era muito aquém do que pretendia, era rebeldia, quase uma dinastia. Rimar não fazia parte dos meus planos e eu sem querer querer me traía e repetia palavras a meu ver.
domingo, 14 de novembro de 2010
óbvio
Estou falando outra lingua com as pessoas de onde vim. Estou incompreendido, não consigo. Olho em volta e não entendo aonde cheguei e porque, mas estou feliz por um lado. Prefirindo omitir um lado do outro por pura supertição, medo e um certo controle, eu me calo, ofego, susurro, arfo e uso verbos na primeira pessoa do singular. O escuro em que me encontro é quente e úmido como um brigadeiro recém tirado do forno. Vomito palavras e engulo silencio. A ambiguidade molhada reflete no calendario e a única imagem clara que enxergo é a quarta-feira que se aproxima. É o solstício da minha vida. Vejo tudo em slow motion e no presente momento, somente nesse centésimo de segundo, não era o que pretendia.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Por hora
O que ficou sem ser dito agora não tem a menor importância. A morte leva consigo a materialidade e deixa comigo a imaterialidade do seu ser. Porém tudo aquilo que havia de ter sido dito paira sobre o que fui um dia e o que talvez um dia juntos fossemos. Essa linha tênue me separa de você. A palidez do seu rosto me transporta para um lugar o qual eu não pretendia viver há sete dias passados. Nada mais faz sentido e eu me sinto repetido como um clichê francês. A conclusão não viera nos últimos dias e eu sem palavras deixo tudo assim: INACABADO. Por ora...
Vespertino
A culpa ilegítima o meu sentimento. O sonho de criança se assombra. O amor se corrompe. A vida se torna gélida e você se torna o caminho mais longo até o meu coração.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Escrita bipolar
Minha escrita se modificara nos últimos dias, não quanto ao conteúdo, não sei, talvez sim. Quanto à forma com certeza, a grafia mudara, sem sombra de dúvidas. Talvez devido à seqüência de vômito ocorrida na última semana. O fato me deixara com um tremor na mão direita por um determinado tempo. O olhar censurador da Rainha Branca, não me afetara mais como antes. Teria eu adquirido minha tão sonhada independência? Pela primeira vez em dias um sentimento de grandiosa euforia havia invadido o meu miocárdio e apesar do termo de cunho científico a sensação não poderia ser mais metafísica. Estava satisfeito por usar um par de botas que ganhara de presente no último natal, afinal de contas a primavera já havia chegado e o frio teimava em não ir embora para o norte. Acabara a leitura de um livro de 590 páginas. Sentia-me normal demais para o meu gosto. Será? Aconchego. Essa era sensação! O sentimento era intenso de verdade. Eu estava sentado em uma dura cadeira escolar cinza claro e o aconchego me confortara como se estivesse esparramado na cama dos meus pais acalentado por fofos edredons de algodão egípcio, como poderia? A bipolaridade me assolara, mas como? Era a personificação da esquizofrenia. Havia pouco estava mergulhado na mais profunda angústia e no presente momento degustava o doce sabor da euforia? Obtinha plena consciência de tudo. Conhecia o fato de que a felicidade era efêmera, o que a i - legitimava imediatamente. Felicidade temerosa era o que havia. Estava bipolarmente “peripético”.
Aprazível
Era primavera e a cabível fertilidade não havia aprazado minha vida. As pessoas com quem convivia diariamente pareciam pragas a destruir minhas grandes e belas folhas verdes. A perspectiva de um futuro incerto e no mínimo estressante se apresentara à minha realidade e por um instante tudo que havia construído até ali parecia se ruir como um castelo de areia que é levado pelo repuxar das ondas do mar na praia. O azul de Yves Klein não me dizia absolutamente nada, era um azul tão significante quanto a cor do velho uniforme da escola que estudara, o que não me trazia belas lembranças. A genialidade parecia-me completamente relativa e eu no alto de minha prepotência encarava o óbvio como o não óbvio e assim do contrário. Como poderia haver uma sincronicidade tão simpática, quando eu não queria nem olhá-lo nos olhos? Porém quando o fizera, levantamos nossas sobrancelhas simultaneamente arqueando-as como duas bocas comunicando-se sem querer.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Eram exatamente 07h10min antes do meio dia e eu estava ali em uma sala de cristianismo com secreção nasal ouvindo reclamações e tentando não rimar. O sono de 4 horas mal dormidas invadia meus olhos e eu cansava do estilo da minha escrita. Minha imagem estava cansada. Eu estava esgarçando. Pagina preta. Escrita branca. Fungadas. Falação. Areia nos olhos. Ola... Perco o raciocínio com os conhecidos. Abstraio. O vácuo no meu peito continua ali mesmo sorrindo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Os Novos Desajustados:
